Dienstag, 21. April 2009

Die Nacht/A Noite


Die Nacht

Gern verlass' ich diese Hütte,
Meiner Schönen Aufenthalt,
Und durchstreich mit leisem Tritte
Diesen ausgestorbnen Wald.
Luna bricht die Nacht der Eichen,
Zephirs melden ihren Lauf,
Und die Birken streun mit Neigen
Ihr den süßten Weihrauch auf.

[«Gosto de abandonar esta cabana,
A minha bela estadia
E atravesso a passos silenciosos
Esta floresta morta.
Luna quebra a noite dos carvalhos,
Zéfiros começam o seu caminho,
E as bétulas libertam
O mas doce incenso.]

Schauer, der das Herze fühlen,
Der die Seele schmelzen macht,
Wandle im Gebüsch im Kühlen.
Welche schöne, süße Nacht!
Freude! Wollust! Kaum zu fassen!
Und doch wollt' ich, Himmel, dir
Tausend deiner Nächte lassen,
Gäb' mein Mädchen eine mir.

[Arrepio, que enches o coração,
Que fazes derreter a alma,
Muda nos arbustos no frio.
Que bela, doce noite!
Felicidade! Volúpia! Arrebatadoras!
E mesmo assim, Céu, gostaria de te
Deixar ficar com mil das tuas noites,
Se a minha amada me desse apenas uma.»]

J. W. Goethe

«Dem Deutschen Volke»


Declaro assim inaugurada a Ala Alemã do Jardim da nossa Irmandade. Os filoi mou helenistas poderão, seguramente, estrear uma Ala em que façam aquilo que me proponho fazer aqui: Uma exposição que compreende memórias, reflexões, poemas, citações, fotografias, etc., que me permitam dar a conhecer à nossa clientela e comunidade um mínimo de cultura germânica.
Lasst uns anfangen!

Um velho poema meu...

Foi assim que o acaso me fez;
Não tendo raízes, tenho pés.
Não floresci para vegetar,
Se vim ao Mundo, foi para andar,
Andar o Mundo de lés a lés.

De lés a lés, quero andar o Mundo,
Ver-lhe o celeste; ver-lhe o imundo,
Caminhar a terra, andar no ar,
Caminhar sobre as ondas do mar,
Ser Deus, filósofo e vagabundo.

R. S. Neves

Montag, 20. April 2009

A pessoa em Sartre

"Um homem não é senão o seu projecto, não existe senão na medida em que se realiza, ele não é senão o conjunto dos seus actos, não é senão a sua vida (...) e a soma dos seus empreendimentos"

aforismo IV - W. Blake


"None could have other than natural or organic thoughts if he had none but organic perceptions"
- William Blake

Glosando o mote "entre os homens, viverás como um deus"

Entre os homens, viverás como um Deus*
A Epicuro

Entre mim e Mim Mesmo ergue-se um muro,
Muralha vazia, fornalha fria,
Que captura e consome a luz do dia;
Lança a sombra de Mim Mesmo - no escuro.

Do outro lado do muro, grito e juro
A Mim Mesmo que seguirei a via
Que rasga o Nada que nos dividia,
Seguindo a voz de meu Mestre Epicuro:

"Da Morte não tenhas medo ou desejo;
Que a Morte dos vivos vive escondida...
Em ti não há abismos, mas brilham céus!

Debruça-te docemente e dá um beijo
Aos lábios sedosos da tua vida,
E entre os homens, viverás como um deus."

Rafael Silveira Neves, 20/04/2009



*-últimas palavras da obra de Epicuro "Carta a Meneceu", em que dá a esse seu amigo conselhos para viver a vida sem medos, para a cultivar e se cultivar a si mesmo.

Eu, Ícaro

Sei que navego para um destino distante,
Sei que conquistarei tempestade e trovão;
Porém... Fundo se afunda o mais forte galeão
Com a carga soberba do orgulho brilhante.

Hei-de ascender aos céus, a um trono de diamante,
Com meus amigos, estrelas na escuridão:
Terei um manto de asas na coroação...
- se não as rasgar a minha ambição arrogante.

R. S. Neves