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Mittwoch, 3. August 2011

Ensinamento, n.º 2

O capitalismo é a arquitectura moderna da escravatura. E daqui a uns anos também será abolido.

Freitag, 29. April 2011

O Hospital


José P. saiu tarde do emprego, numa noite como esta.
À porta da empresa, tropeçou num grupo de mendigos cadavéricos deitados. Através dos seus olhos transparentes via-se a putrefacção de sonhos ingénuos acumulados ao longo de vidas que se arruinaram num abrir e fechar de olhos. Pediram-lhe dinheiro, por favor, algo para comer, por bondade; mas José P. não tinha nada.
Desceu as escadas imundas e entrou na estação inundada de massas disformes de mártires anónimos. Nas caras empalidecidas via-lhes o desespero; o seu silêncio plúmbeo tresandava a medo do futuro.
Foi aí que lhe ocorreu pela primeira vez que os túneis do metro, nos dias que correm, não são senão os esgotos ocultos das sociedades decadentes. Todo o pus segregado pela injustiça flui nos canais ininterruptamente: os incontáveis cansados, explorados, desempregados, cegos, imigrantes, estudantes esquecidos sonhando com a emigração, pequenos e médios empresários falidos, estagiários sem nome nem futuro, idosas solitárias que se alimentam de pouco mais que a amargura da velhice miserável, advogados agrilhoados em torres de intermináveis processos de insolvência.
Saiu e apanhou o autocarro para a sua cidade-dormitório, o império da insónia dos desempregados e dos pequenos comerciantes - que contam em angústia os segundos que faltam para perderem o subsídio ou para dívidas invencíveis vencerem. No caminho, pensou que como a noite estava escura e o Município tem dinheiro para criar para primos e camaradas de partido empresas que nascem deficitárias e inúteis, mas não para assegurar uma iluminação suficiente nas ruas, talvez ainda fosse assaltado e devia era andar depressa para chegar a casa.
Mas depois lembrou-se que não tinha dinheiro. Nem mesmo anel de noivado, que tinha entregue com grande relutância a um daqueles homens muito honestos que se vê por aí cada vez mais, daqueles que compram o ouro a pessoas quase falidas ao preço da chuva.
José P. lembrou-se que não tinha nada na vida, nunca teve, e nunca teria; e viu que lhe era completamente indiferente se era assaltado ou não. Mesmo que fosse, não tinha vontade de voltar a ir à esquadra e rogar insistentemente a mais um chui gordo, imbecil e imprestável o favor de lhe dar os tais impressos para não-sei-quê para os preencher antes que fossem definitivamente perdidos nos abismos da Administração Pública e da Justiça portuguesas sem que ninguém se voltasse a chatear com o assalto: nem o chui indiferente e inerte, nem o ladrão que dorme descansado na segurança da sua impunidade certa, nem os funcionários públicos bafientos ausentes na sua permanente indignação por os seus privilégios deixarem de ser tabu, nem o juiz frustrado com a desorganização patológica do sistema judicial que suspira de desgosto quando tem a certeza absoluta que acabou de ouvir ratazanas a fornicar dentro de um dos muitos buracos encharcados nas paredes da sala de audiências.
Das janelas do autocarro ainda passou pela parte rica da cidade, por breves momentos. E José P. conseguiu ver altos muros armados com alarmes protegendo vivendas de intocáveis de fato e gravata, intocáveis que se alimentam de jantares de negócios, que levam os filhos para o colégio de BMW e Jipe até à idade em que estes já podem conduzir o seu próprio BMW e Jipe para a Universidade privada. Também eles vivem com medo de serem roubados, mas não do desemprego ou da pobreza: afinal, conhecem um gajo, pá, que conhece outro gajo, pá.
Chegou à casa vazia e abriu a caixa do correio.
Viu que tinha chegado mais uma remessa de cartas do banco, de velhos amigos que tinham emprestado algum dinheiro em alturas difíceis e agora pediam amavelmente o dinheiro de volta, visto estarem eles próprios a apertar tanto o cinto que em breve estariam cortados em dois. Havia também inúmeras cartas das telecomunicações, da água e do gás e da electricidade, que exigiam mais e mais e mais ainda; afinal, podiam fazê-lo impunemente, como monopolistas ou oligopolistas, longe de um mercado livre guardado por Autoridades da Concorrência activas.
José Pedro suspirou, sentiu uma dor de cabeça profunda.
Como ia pagar aquilo tudo? Era impossível, agora que tinha voltado pela última vez a casa vindo da empresa. Lembraram-lhe que aquilo que ele tinha não era bem um contrato e que podiam fazer com ele o que quisesse.

De repente, a dor ficou ainda pior. Lembrou-se que para a semana tinha de pagar os impostos. Talvez se o banco lhe pudesse emprestar dinheiro? Mas agora já não emprestam dinheiro a ninguém para nada, ao passo que antigamente emprestavam a todos para tudo. Tirou a mão do bolso e saiu o talão do supermercado. Pegou nele antes de o pôr no lixo e, subitamente, desatou a chorar descontroladamente. Chorou como uma criança abandonada. O IVA já estava a 25% e ia de certeza subir de novo. E sabia que deles não sairia nada para o subsídio de desemprego agora até arranjar outro trabalho, ou para a reforma: ia, sim, para bónus de gestores públicos na casa dos 30-40 evidentemente inaptos para mais do que ir falar de bola e para almoços da sua Juventude partidária; aquele IVA ia, sim, para as indemnizações compensatórias de empresas públicas que são nados-mortos ou mortos-vivos económicos.

José P. não aguentava mais. Todos lhe exigem tudo o que tem e os seus filhos haveriam de ter, mas ele não pode sequer pedir impressos para não-sei-quê com a mais inocente facilidade.
Atirou-se do seu 5.º andar e caiu sobre a rotunda.
Os vizinhos, em alvoroço, chamaram a ambulância para levar o pobre Sr. P. ao Hospital.
Lá veio a ambulância, passados 20 minutos, que logo arrancou e levou José P., moribundo.

A viatura parou à porta do Hospital. Os enfermeiros coçaram a cabeça quando perceberam o que se passava e tentaram acordar José P.. Explicaram-lhe que pediam muita desculpa, mas que tinha havido um mal-entendido e que o tinham levado para o Hospital do Município, ignorando que as obras da sua construção ainda nem sequer tinham terminado. E ainda por cima, acabavam de reparar que se tinham esquecido de encher o depósito com gasolina.
Agora já era tarde demais. José P. ia mesmo morrer ali. Consta que as suas últimas palavras foram:
«Mas... então isto é assim? Eu a morrer e vocês nem têm o cuidado para ver se o Hospital está a funcionar? Mas não conseguem fazer o vosso trabalho?»
Ao que o enfermeiro respondeu, como qualquer português o teria feito:
«Isso das informações é lá com a central. Não é a minha área. Mas se quiser, dou-lhe o endereço do meu superior hierárquico para enviar uma carta a queixar-se. Só não garanto que algum dia alguém a leia.»





F. B. B.

Montag, 21. Februar 2011

A Caverna


Todas as coisas são uma ilusão,
Pálidas e pétreas sombras de verdade,
Reflexos que dançam grotescamente
Pelas grutas vãs da nossa ignorância;
Pelas profundezas da ingenuidade.

Todas as coisas têm fugazes sombras:
Gémeas falsas - e idênticas, porém;
Cópias iguais - e por isso imperfeitas:
Pois tudo no mundo é sombra e tem sombra;
Cópia de engano é engano também.

FBB

Dienstag, 18. Januar 2011

Complete o conto.

«Batia incessante e nervosamente com a ponta dos dedos na mesa de madeira crua, causando pequenos tremores na vela que ardia em impaciência naquele canto escuro da taberna. O tempo arrastava-se dolorosamente, e Sophie sentia que não podia mais esperar. Não por muito mais tempo.
Eram tempos perigosos que se viviam, ela sabia disso. Mas tinha de ter vindo, ocupar aquele mesmo lugar da estalagem suja e meio vazia, àquela gelada hora da noite. Muito dependia do decurso que esta tomasse, e de cada sílaba das suas palavras que pronunciasse - e por isso, sentia medo e tremia.
De repente, ouviu passos vindos da escada...



Convido-vos a todos a terminar a história, cada um como quiser. Fica ao vosso critério o desenvolvimento e o fim.

Divirtam-se!

FBB

Sonntag, 14. November 2010

A Vinda



A VINDA

(Dedicado a MPA).


Num tempo longínquo e distante,
Em que ainda era novo o Mundo,
Dormia num sono profundo
E sob estrelas de diamante
Uma nobre princesa errante.

Os seus caracóis eram escuros,
E escura era a sua montada.
Vivia a cavalo, exilada,
Longe dos homens vis e duros,
Da Babilónia e dos seus muros.

Por ordem do Imperador,
Baniu-se a sua dinastia.
Por isso, exilada vivia,
Confortada pelo rumor
Doce do vento do alvor.

Certo dia, encontrou uma Torre
Ascendendo aos céus, de marfim,
No meio de um imenso jardim
Onde o licor em rios corre,
E a flor de laranjeira não morre.

Passou os prateados portões
E soube que era o seu reino novo,
Pois lá a esperava todo um povo,
Cantando-lhe alegres canções,
Montado em cisnes e pavões.

Em cisnes e pavões montado,
O povo cantava feliz,
Por fim, chegava a Imperatriz
Que tanto tinham esperado,
Com quem profetas tinham sonhado!

Poetas cantaram da sua vinda,
Da sua bondade e beleza,
- Curas universais de tristeza!
Doce e bela, reina hoje ainda,
Onde a luz do dia não finda.



Rafael Silveira Neves

Samstag, 13. November 2010

Proposta

A verdadeira Religião, ou Devoção, que o Homem deve ter é o sentido de Estado.

Filipe, proponho esta frase, minha, para a secção «Resmunguices & grunhidos opinativos sem valor argumentativo».

Donnerstag, 11. November 2010

O Fruto do Conhecimento


Tão grande foi o meu pecado!
Tão grande será o meu tormento!
De querê-lo - tão sumarento...
De prová-lo - doce e dourado,
O Fruto do Conhecimento!

Que dor! a de ser imortal!
Ver o tempo passar, tão lento...
Vivo imortal, em pensamento,
Pois sorvi o suco intemporal
Do Fruto do Conhecimento.

E agora é minha a luz do dia,
E o sopro cósmico do vento
E observo, do meu firmamento,
A fonte da eterna alegria,
Meu Fruto do Conhecimento.


Rafael Silveira Neves

Samstag, 6. November 2010

Julgamento


Num salão húmido de basalto coberto pela poeira legada pelas gerações das Eras do Mundo que se sucederam, pingava água gelada, algo ressonava, rangiam as dobradiças, e fungava impaciente o Juiz. Subiu ao estrado e sentou-se no cadeirão.
Todos se levantaram - os Autores, a sua defesa e o Réu.
Colocou os óculos, fungou, e leu:

«Após curta, irreflectida e arbitrária apreciação dos diferentes argumentos apresentados exclusivamente pelos Autores, o Tribunal decidiu condenar o Réu, D..., por quem nunca chegou a ter grande simpatia, à morte por esquecimento.»

Fungou e tossiu e fungou de novo. Os Autores e a sua defesa sussurravam palavras de alegria, o Réu aceitou tristemente o seu destino, e o advogado da sua defesa ressonava através da sua bocarra escancarada. Escorriam fetidamente gotas de água pelas estátuas e baixo-relevos negros, outrora lembranças do suspiro enamorado da Criação, hoje quebradiças testemunhas mudas da sua execução sumária, da farsa do seu julgamento.
O Juiz limpou o muco à manga da toga e continuou:

«Tendo o Juiz proibido toda e qualquer argumentação da parte do Réu, dada a sua insolência em permanecer doente, mudo e cego, e não tendo a sua defesa chegado a acordar, o Réu é considerado culpado pelos crimes que agora se passam a enunciar:»

O Velho estremeceu de frio e desespero, as suas pesadas algemas afundavam-se nas suas barbas brancas incomensuráveis que se iam fiando e desfiando em nuvens. Os seus pequenos olhos escuros gritavam mágoa, e a sua mágoa gritava de injustiça. E no entanto, seguiu-se a enumeração das atrocidades por que agora o sentenciavam. O Juiz tossiu e continuou:

«Infanticídio em massa de primogénitos; filicídio premeditado e preparado com particular perfídia; coacção a um pai para que matasse o próprio filho; sucessivos massacres por afogamento diluviano ou por bombardeamentos de enxofre e fogo; omissões que resultaram na morte dos seus seguidores nas mandíbulas de leões; incitamento à homofobia, à misoginia, à xenofobia; tortura em massa pelo sentimento de culpa e pelo terror de um suposto fogo; degradação dos Autores à ignorância e ao preconceito; burla espiritual ao convencer os Autores da existência de uma contraprestação fictícia pela vida de anhos que os coagia a levar; mentiras reiteradas, monumentais, universais e ruinosas com sequelas ainda por determinar no pensamento dos Autores...»

O Velho estremeceu de novo, eles não sabem o que estão a fazer. O Juiz prosseguiu:

«... e porque, e este foi o motivo determinante, qualquer papel do Réu no nosso novo mundo é impensável. Dispensamos quem nos criou a nós. A Nós, os Autores irados e foragidos, e a Nós, o Juiz débil e corrupto e câmara decadente da aplicação da anomia. Por termos sido tão maltratados, pensamos chegada a altura de exercer a injustiça popular e linchar o Pai, nesta mesma Sala. A Nossa era chegou. Seja Ele esquecido.»

E o Velho, doente, curvo, frágil, mirrado e espancado, teria chorado mais se pudesse ter visto o que lhe aconteceu. Mas era cego. E teria soluçado e dito últimas palavras, de conforto ou de despedida. Mas era mudo.
Esvaneceu-se. E as nuvens dissolveram-se, como se nunca tivessem existido.





Rafael Silveira Neves

Donnerstag, 9. September 2010

O Rouxinol e a Pomba


No topo de um dragoeiro, um rouxinol cantava à pomba dos seus olhos:

«Toda a minha canção é para ti,
com ela quebro o silêncio gélido das noites
com ela saúdo o brilho dos teus dias.
Noite e dia e dia e noite
Toda a minha canção é só para ti, Pomba.

Porque me trouxeste paz, e as palavras da minha voz,
Porque me fizeste ver a beleza de todas as coisas,
Porque enfrentaste tempestades na madrugada dura só para voares para mim,
Porque mostras compaixão quando as canções são desafinadas, tristes e irrequietas,
Porque nasceste para nos mostrar que uma pomba traz sempre paz, bondade e beleza a todos que a vejam voar livre.
Por isto tudo, Pomba, e por mais que possas imaginar,
A minha canção é tua, e só tua.

E hei-de aguentar-nos nas tempestades de madrugadas duras, e hei-de te proteger e coroar-te com flores de cerejeira e retribuir-te a bondade, mesmo que não nos compreendam.
Mas daqui não saio. E a ti, não te deixo.»

E a pomba cantou, respondendo ao rouxinol,

«E eu oiço a tua canção,
Quando a lua transforma o meu branco em prata,
Quando a luz do dia me coroa,
Dia e noite e noite e dia
Só oiço a tua canção.

Porque se a todos trago paz, em ti encontro a minha,
Porque me fizeste ver a vida de todas as coisas,
Porque quando vôo para ti, vôo livre, e sou feliz quando poiso,
Porque consigo ouvir para além das canções desafinadas e tristes, e ver horizontes de melodias alegres,
Por isto tudo, Rouxinol, e mais do que possas imaginar,
Apenas oiço a tua canção.

E hei-de a ouvir e sentar-me neste mesmo galho, sob o granizo e as mandíbulas do sol, cantando contigo,
venha o que vier.»

RSN

Sonntag, 23. Mai 2010

Surrealismo - II



Ele poderá jurar que não te ama;
que os seus passos são fruto
da vontade inquebrável do dito Homem
e não gotas nebulosas de licor de éter
harpejadas por um festivo e pré-determinado destino.

Ele poderá jurar que não te ama;
que o escarlate e ridente Sol do amanhecer
não abençoa a Terra turva:
as nuvens gotejantes
de orvalho escarlate e ridente
são rubis.

E poderá jurar que não te ama;
e que a Terra turva tornada tiara imperial
do mecanizado Universo há muito desenhado
não foi colocada nele para virar e revirar, dançante,
e velar terna pelo radiante e generoso Sol:
grata pela bênção diária.

Poderá jurar que não te ama:
E no entanto, move-se.

Rafael Silveira Neves

Por linhas tortas.



«Para a tua dor, pecador, escancaro as portas;
As sulfúreas mandíbulas do Inferno.
Vai! sofre o pecado no fogo eterno!»
- Assim escreveu Deus por linhas tortas.

Rafael Silveira Neves

Mittwoch, 31. März 2010

Há uma certa sensação associada a estas coisas, elas podiam levar-te a histórias. Mas tudo o que lembras é que a tua nostalgia te engana, nada foi como o reminesces.

Sonntag, 7. März 2010

Glorioso é este dia porque descobri que não te posso fazer feliz
ainda assim te quero

Glorioso é este dia porque descobri que não me podes fazer feliz
ainda assim te quero

Mas todos os dias são gloriosos

Mittwoch, 10. Februar 2010

Outro poema de Rato

«O Badalo do Sino

Toca o órgão voam os corvos,
A desordem típica dos povos.

Nem sei deus, nem sei buda,
Nem sei anjo, nem sei diabo.
Apenas sei que a surda-muda
Gosta dele bem recheado!

Quem tem medo do espantalho?
Seguramente quem tem mangalho.
E quem mangalho não tem?

Quem mangalho não tem, mangalho tivesse!
Quem espantalho não é, espantalho fosse!

Mas, afinal, quem é ela!?

É branca como a neve,
É sempre viscosa, é leve!
Nela transporta toda a colheita,
É ela! A que dá pelo nome de Meita.»

---
Júlio Afonso Rato (1875-1947)

Um soneto de Rato

«Soneto à República

Res publica que estás tão graciosa,
Com a boca mui húmida e venenosa.
Nunca mais tapes teus belos tetos;
Quem te beija bebe cem mil cianetos.

Toda a tua linha é bela, harmoniosa,
Sente-se o deslizar sábio da prosa.
Tentarão derrubar-te por decretos,
Mas nem com um punho de projectos.

Oh, maldita coroa, aqui repousas só,
Não voltarás a reinar neste laranjal.
Reis e tiranos que não mereceis dó:

Curvai-vos perante este novo ideal,
O vosso não passa agora de simples pó.
Viva a República, viva este Portugal!»

---
Júlio Afonso Rato (1875-1947)

Um novo membro


Imperatoriam maiestatem non solum armis decoratam sed legibus opertet esse armatam - Justiniano I

Caríssimos,


é por este meio que anuncio ao mundo cruel a iniciação de Tiago Vahía Pessoa - o Pessoa - na irmandade do Ars Vitae. Os números equilibram-se: três físicos e dois juristas. Longa vida à sua nobre alma poética e republicana, à sua amável insanidade, ao seu intelecto e ao seu incomparável humor!

Que nos ilumine o nosso Jardim com muitos e variados posts. A nossa majestade imperial conjunta será armada também com o Direito!

Freitag, 5. Februar 2010

Contemplação

As livres nuvens que leves percorrem
Em vivaz passeio o amplo céu largo
Pontes irreais como perto estão.
Não se alcançam

Espaço uno divide-se em dois
De além e aquém da nossa condição
De dentro e fora do que somos feitos
E o que nos molda
E em nós que o quebrámos reúne

Matéria nova que ressurge d’onde
Anciã partiu em ciclo perpétuo
Centro que somos

Pedro Afonso Cosme, Outono 2008

Mittwoch, 9. Dezember 2009

Glosando o Mote «ao ver a sua alma envolta no escuro»


Ao ver a sua alma envolta no escuro;
Vendo o bruto peso da sua cruz,
Perguntei se eu era passado ou futuro;
Se para ela era sombra ou se era luz.


Ao ver a sua alma envolta no escuro,
Vi que se tinha apagado o meu céu
- Dia que morre, e não amanheceu;
Barco que naufraga em porto seguro.

Vendo o bruto peso da sua cruz,
Quis erguê-la como se fosse minha;
Quis morrer antes de ter de a ver sozinha;
Mas recusou-mo - e por isso propus:

Perguntei se eu era passado ou futuro;
Se podia coroá-la com a manhã;
Se era o seu anjo ou uma esperança vã
E se as suas chagas causo, ou se as curo...

Se para ela sera sombra ou se era luz
Mo disseram seus olhos, negro espelho:
...«és o passado, um triste sonho velho,
Que o teu amor pelo Inferno conduz!»


Filipe Bastos, 09.12.2009

Freitag, 4. Dezember 2009

Surrealismo - I


Vagas memórias de vagas nebulosas
Vagueiam, turvas, estalando como cometas;
Devagar, divagando e navegando poetas;
Tecedo-se em espumas de sonetos e glosas...




- Rafael Silveira Neves, 12/2009

Samstag, 28. November 2009

Poema breve

Brilhantes folhas
Dançantes leves
Inquietas s'agitam

Silêncio tumulto
Vivazes frescas
O dia quente filtram




21 de Novembro 2009
Pedro A. Cosme e S.