Samstag, 12. September 2009
Constatações
Sonntag, 6. September 2009
Samstag, 5. September 2009
Algo está podre em vários reinos...
Ontem sensivelmente a meio de um passeio que fiz com um amigo meu, repousamos num café que costumo frequentar (e recomendo, o Fba no bairro alto) onde me pus a viajar por entre as várias prateleiras de livros que este tem... Até que, por fortuito acaso do destino, me deparei com um livro de suposta educação sexual, e já compreenderão o meu "suposta", este livro, tomando partido de uma personagem conhecida da animação infantil francesa, apresentava os varios e tortuosos meandros da sexualidade e do sexo de uma forma clara, direcionada e doutrinada não fossem os meninos adolescentes e pré-adolescentes a quem o livro se dirigia perder-se nesse horrível pântano da existência que é o sexo e a sua vivência. Vejamos os três pontos fulcrais do livro, completamente errados (na minha perspectiva claro):
Numa primeira parte, de pendor ciêntifico eram apresentadas as mudanças corporais e de comportamento da puberdade, neste primeiro ponto deu-se o primeiro deslize... caindo no ridículo, numa das páginas, muito ilustradas, explicava-se que os rapazes não têm o periodo. Verdade - claro - mas "informar" um rapaz de 13 ou 14 que ele não terá o periodo é chamar-lhe ignorante, pois não sejamos naives: com essa idade já muito sabem, quer eles quer elas, sobre as questões da sexualidade e portanto não nos podemos apresentar como se eles fossem uma nulidade na matéria, o que levaria unicamente ao escárneo por parte dos adolescentes, como em qualquer momento de educação temos de saber ser humildes enquanto formadores.
Numa segunda parte (muito mais caricata) era apresentado um... chamemos-lhe manual técnico... onde se "ensinava" aos debutantes lições tais como: "Como dar um beijo de língua" não esquecendo obviamente "Como fazer amor" nestas secções aprende-se que os ingleses não gostam de "beijos molhados" e que não se deve rodopiar demasiado a lingua dentro da boca de alguém (infelizmente não indicavam as rpm máximas) e acima de tudo aprende-se como fazer amor ou seja: posição do missionário, eventualmente a única permitida pela ASAE.
Como não poderia deixar de ser, havendo um bom editor, o expoente máximo do livro ficava na na terceira e ultima parte do livro, dedicado inteiramente às perigosas dúvidas que os pupilos pudessem ter... E nela se apresentava o supra sumo das ignorantes frases , atentemos:
"É normal alguns rapazes sentirem atracção por outros rapazes, isso altera-se com a idade"
Como quem me conhece pessoalmente decerto perceberá esta acima de qualquer outra afirmação chocou-me profundamente! Desde cedo me sei homossexual e já passei demasiado devido a isso para agora me dizerem que enfim é um azar que daqui a uns tempos passa.
Pois é, podem não acreditar mas era esta a referência à homossexualidade existente num livro de que se esperava ser clarificador e mais que isso estabilizador para os jovens, pois efectivamente a meu ver mais que bombardear as pequenas mentes com informação distorcida e endoutrinante há que os colocar à vontade com a sua sexualidade quantas vezes complexa e dificil de entender (Eu no 6º e 7º ano ia dando em doido).
Tudo isto além de mais uma vez me demonstrar o quão crua e ignorante a main stream da sociedade pode ser (por acaso não sei porque ainda me dou ao trabalho de contabilizar) relembrou-me que se pretende introduzir a obrigatoriedade da educação sexual nas escolas e assustou-me ao ver como tal pode ser tão mal direcionada e efectuado. Mas enfim o que vale é que nós ocidentais ficamos muito escandalizados com as crianças muçulmanas a decorar apenas e só o Al-Corão... nós somos muito diferentes para melhor. Não somos ?
As virtudes de Cosme também se esgotam...
Quando fui convidado pra integrar este blog coloquei, desde logo, a mim mesmo a implícita regra de que não discuturia aqui política muito menos certos aspectos sociais ou de mentalidade, norma que tenho cumprido escrupulosamente. Contudo (como o nosso queridíssimo doutor em leis poderá comentar) creio que existem acontecimentos que nos conferem autoridade para ultrapassar as regras (sim eu sou fã da Antígona).
Deste modo serve este post de preludio à pequena crónica que emitirei em breve e que pretende não só mostrar o meu desagrado ou orgulho ferido (eu o confesso) mas mostrar e deixar ao vosso critério e comentário uma situação deveras inaudita, que já aconteceu... e outra que está em vias de acontecer.
Freitag, 4. September 2009
Rawls
- John Rawls, em A Theory of Justice
Dienstag, 1. September 2009
Moisés
Hoje tropecei na estátua do Moisés e sonhei com uma lenda associada a esta obra. Os caminhos da minha mente foram um pouco mais sombrios que a lenda original mas resolvi escrever isto aqui antes que me esqueça, porque assim são os sonhos, efémeros e esfumam-se por entre os dedos por mais que os tentemos fixar.
P.S. Já agora, já acertavam o relógio disto, são 8 horas da manhã e é dia 1 de Setembro.

A brisa fresca cintilava entre as ramagens sibilantes da manhã. Entre a azáfama primaveril o louco exaltava os homens. Incrédulos transportavam o volume alvo pelo magro pórtico esmagando as roseiras brancas do jardim. Directo de Fiesole, o enorme bloco protagonizava agora o verdejante palco da pequena propriedade. Esgotados, o escultor apressava agora os homens para fora da propriedade, atarantados sorriam idiotas face ao seu esgar irado e sem pressas abandonavam as imediações. Com gestos bruscos e apressados, expulsava-os apressadamente, atingido pela luxúria criadora procurava nos labirintos da sua idealização as linhas do projecto.
Em cada instante desenhava-se na sua mente a forma que nasceria naquele tosco seráfico. Correu para a pedra e sentiu-a com as mãos ásperas e experientes, com elas percorreu o paralelepípedo, possuído pela ânsia da sua visão. Os dedos percorriam o corpo branco e adivinhavam as formas que já via na sua mente. Percebia a pedra, sentia-lhe cada detalhe, o escopro da sua vaidade artística desenhava cada contorno, cada ângulo, emergiam no barro criador da sua mente e nunca se enganava, não, a pedra tinha o marco da criação e os meses de persistência necessária para trabalhar o mono afiguravam-se como segundos.
Incansável, descobriu dia após dia, mês após mês as formas desta réplica dos seus desejos. Revelou-lhe rapidamente as faces angulosas, o nariz fino e rectilíneo, o olhar determinado pautado por melancolia e cansaço de uma viagem de quarenta anos, a boca grave dos povos do deserto… Já lhe adivinhava o corpo seco e musculado, os ossos salientes entre os músculos, os dias escorriam por cada veia que se definia, desde as mãos longas e ossudas do profeta que não foi até aos pés cansados das pernas viajadas. Mas prosseguia a encomenda da fé que o invocava, martelava e compunha cada curva, o torso esguio, as pernas musculadas pela longa viagem e em cada golpe tudo se definia, o futuro do passado da vontade daquele que morreu às portas da terra prometida.
A promessa divina estava finalmente ao seu alcance, a obra terminada coberta pelo lençol branco manchado pelo sangue e suor do ardor que o possuía. A noite estava tépida e a natureza aguardava em expectativa entre ventos que não sopram. Meses haviam passado, o Verão chegava ao fim. Num gesto inesperado revela perante os seus olhos o resultado do seu idílio. Fita silencioso a figura humana que ali se senta sobranceira entre os escombros que a ocultavam. "Levanta-te e anda!" grita exasperado, mas a figura pétrea olha distraidamente para o lado, contemplando as rosas secas no jardim.
Raiado pela incompreensão e incrédulo, o génio lança-se sobre ela e de martelo e escopro em punho ataca o velho recém-nascido por sua mão. Quebra-lhe o gesto altivo transformando os dedos nodosos em cascalho, a que se seguem os braços encostados que rapidamente perdem a forma e furioso martelando-lhe os joelhos, os membros rapidamente se confundem com os escombros do nascimento daquilo que agora morria.
O ar anseia, o coração palpita forte e esperam-no. Incrédulo e com olhar langue e cego fita a expressão arrogante daquela cara erguida sobre um torso desmembrado que ridiculamente parece ignorar toda a situação. Num último ímpeto de raiva, investe contra a sua obra e desfere-lhe um rude golpe no meio daquela expressão que O enfrentou e agora cai por terra: a cabeça fitando o infinito é decepada e rola no chão e deixando adivinhar as linhas que a definiam.
O jovem pega por fim no escopro, e em direcção ao torso do velho decapitado: "pam, pam, PAM… … (silêncio)", o martelo enterra o escopro no peito trabalhado. Fitando os escombros limpa o suor, sorri candidamente e vira as costas… Daquilo que era nada fez tudo e do tudo o reduziu a nada.
André Cunha
Samstag, 8. August 2009
Olhó poema fresquíííííííííínho!
Albatroz
Da linha do horizonte abstracto
Co'a brisa volátil do oceano
Vem céu e mar rasgando sem ter rumo
Sempre a luz terna que o aquece
E enquanto dura tudo promete
Nas revoltas águas se evade
Volteando a espuma agreste
Que é ele voando e não é
Contra o seu próprio ser se bate
A bruma antiga rasga errático
Mas nela se banha voluptuoso
De si tristemente escarnecendo
Espera sem fortuna o momento
Em que pelo crepúsculo planar
E no mar a figura espelhar.
***
